Backtest da Grade — e se o método existisse em 2021?
Reconstruímos a Grade Sardinha ano a ano com os dados OFICIAIS da época (demonstrações CVM, fechos e proventos da B3) e medimos o que cada faixa de nota fez nos 12 meses seguintes. Sem olhar para o futuro: cada carteira anual usa só o que um investidor sabia naquele junho. O teste mais importante não é o Núcleo ganhar — é a faixa "Evitar" perder. Se as notas baixas não destroem valor, o método não separa nada.
Resultado passado, sobre base com viés de sobrevivência declarado — rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Leia as limitações antes de interpretar estes números.
Leia antes dos números: o que este backtest NÃO é
Viés de sobrevivência — a base cobre as empresas listadas HOJE (~140/ano). Quem quebrou ou saiu da bolsa no caminho não aparece, o que infla os retornos de TODAS as faixas. Por isso a comparação mais honesta é interna: Núcleo contra “Evitar” dentro do MESMO universo.
Grade determinística — só os critérios calculáveis com dados oficiais da época (7 nas ações: P/L, P/VP, lucro, dívida, ROE, crescimento, proventos · 3 nos FIIs: P/VP, yield vs pares, consistência). Os critérios de IA da Grade completa ficam fora — não dá para reconstruir o passado deles.
Sem custos — corretagem, emolumentos e impostos não entram (1 rebalance/ano minimiza, mas não zera).
Proventos de FII — série completada em 29/08/2026 — os rendimentos dos FIIs vêm de três fontes com prioridade FIXA, decidida antes de ver o resultado: eventos oficiais da B3 (só a cota — os recibos de subscrição ficam fora), o histórico do Fundamentus (desde 2016) e os informes mensais CVM. Em cada mês conta UMA fonte por fundo, separando renda de amortização: a amortização entra no retorno total (é dinheiro que o cotista recebe), não na classificação. Cobertura: 127 a 135 dos 146 fundos com 10 ou mais meses de renda em cada janela; os restantes são fundos que estrearam ou encerraram a meio da janela. Duas lacunas declaradas: HGPO11 devolveu cerca de R$ 189 por cota em 2024 e só R$ 57 constam das fontes; NCHB11 não tem série em nenhuma fonte.
Revisão de 29/08/2026 — o resultado de FIIs publicado de 17/07 a 29/08 (+31,5% em 3 anos) estava INFLADO por um erro nosso de unidade no informe CVM. Corrigido a meio de 29/08 para +8,3%, o número passou a estar SUBESTIMADO por três defeitos de dados que o nosso próprio teste de sanidade apanhou no mesmo dia: um terço dos fundos entrava sem série de proventos; sete desdobramentos (GALG11, BCFF11, MCHY11, NCHB11, RBRF11, SARE11, RBFF11) não constavam do corpus da B3 e contavam como quedas de 80-90% — confirmámos cada um pelas cotas emitidas nos informes CVM; e a B3 atribuía à cota rendimentos dos recibos de subscrição (+2% inventados em 21 fundos). Com a série completa e os eventos corrigidos, o Núcleo de FIIs ficou em +15,3% em 3 anos (IFIX +21,9%), a faixa Sólido em +19,9% e a faixa “Evitar” em +6,7%. A leitura honesta: nos FIIs o método SEPARA (Núcleo acima de “Evitar” em 2023-24 e 2024-25, e “Evitar” é o pior corte) mas não bate o índice — e o corte mais exigente (P/VP abaixo de 1, yield acima dos pares e consistência) rendeu MENOS do que a faixa Sólido neste período. Publicamos os três números em sequência porque é isso que “prova pública” quer dizer. As faixas de ações não dependem destes dados e não mudaram.
Revisão de método — 30/08/2026 — depois da correção de dados de 29/08, estudámos POR QUE o Núcleo de FIIs rendia menos do que a faixa Sólido: no papel, P/VP abaixo de 0,85 foi negativo nas três janelas e o yield acima dos pares selecionava sistematicamente o pior tercil. Em vez de ajustar os critérios ao resultado, pré-registámos um teste (regras, dados e critério de aprovação publicados antes de correr — secção “Revisão de método” abaixo) e só a hipótese que passou entrou no método: P/VP em banda por classe oficial (composição do patrimônio declarada à CVM) e pares do yield pela mesma classe. Com essa regra o Núcleo de FIIs passou a +27,5% em 3 anos (IFIX +21,9%) — acima do índice na janela 2023-24 (a crise do papel high yield) e ligeiramente abaixo nas outras duas (+3,3% vs +4,7%; +9,3% vs +9,7%) — e a faixa “Evitar” cai para +1,9%, a maior separação de todas as variantes. O número anterior (+15,3%) continua publicado na linha v0. A Grade de cada FII em produção foi recalculada no mesmo dia com a regra nova.
Revisão de 07/09/2026 — janela truncada — uma revisão adversarial do próprio motor encontrou um defeito de MEDIÇÃO, não de método: quando a série de um membro existia mas acabava a meio da janela (deslistagem, ou uma das sete renomeações da B3 — ELET3→AXIA3, EMBR3→EMBJ3, ARZZ3→AZZA3, CCRO3→MOTV3, RRRP3→BRAV3, TRPL3/4→ISAE3/4), o retorno PARCIAL era contado como se fosse o dos 12 meses. O motor promete que membro sem retorno mensurável é excluído E contado (“skipped”); a promessa não cobria este caso. Corrigido: a série tem de cobrir o fim da janela (folga de 10 dias para ponte e feriado). Com a correção, o Núcleo de ações passa de +40,6% para +38,9% (Ibov +34,8%), a faixa “Evitar” de −28,2% para −25,7%, e o Núcleo de FIIs de +27,5% para +28,5% (IFIX +21,9%). As conclusões não mudaram — o método continua a separar e a faixa “Evitar” continua a ser a pior — mas os números publicados até hoje estavam ligeiramente errados e ficam aqui registados.
Passado ≠ futuro — isto valida a LÓGICA do método, não promete retorno. Nada aqui é recomendação de investimento.
Ações — 5 carteiras anuais vs Ibovespa
| Janela (jun→jun) | Núcleo (Grade ≥ 8) | Sólido (6 a 8) | Médio (4 a 6) | Evitar (< 4) | Universo inteiro | Ibovespa |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2021 → 2022 | -18,8% (11) | -23,0% (24) | -23,1% (51) | -53,2% (21) | -28,6% (107) | -22,3% |
| 2022 → 2023 | +30,5% (34) | +40,3% (30) | +29,2% (34) | +29,6% (18) | +32,5% (116) | +19,8% |
| 2023 → 2024 | +3,7% (13) | +5,4% (33) | -7,2% (38) | -9,4% (34) | -3,1% (118) | +4,9% |
| 2024 → 2025 | +20,3% (20) | +15,7% (34) | +7,0% (38) | +38,7% (30) | +19,4% (122) | +11,3% |
| 2025 → 2026 | +5,1% (17) | +14,3% (33) | +5,9% (43) | -2,7% (27) | +6,2% (120) | +23,9% |
| Acumulado (reinvestido) | +39,0% | +50,7% | +4,4% | -25,7% | +16,3% | +34,8% |
Retorno total (proventos brutos reinvestidos), carteira de pesos iguais montada no último pregão de junho e mantida 12 meses. Entre parênteses: nº de ativos no corte na janela.
FIIs — 3 carteiras anuais vs IFIX
| Janela (jun→jun) | Núcleo (Grade ≥ 8) | Sólido (6 a 8) | Evitar (< 4) | Universo inteiro | IFIX |
|---|---|---|---|---|---|
| 2023 → 2024 | +13,3% (33) | +4,0% (64) | -2,9% (21) | +5,4% (118) | +6,2% |
| 2024 → 2025 | +4,1% (39) | +3,2% (66) | -1,3% (22) | +2,7% (127) | +4,7% |
| 2025 → 2026 | +9,0% (47) | +7,4% (58) | +6,7% (12) | +8,0% (117) | +9,7% |
| Acumulado (reinvestido) | +28,5% | +15,2% | +2,3% | +16,8% | +21,9% |
Retorno total (proventos brutos reinvestidos), carteira de pesos iguais montada no último pregão de junho e mantida 12 meses. Entre parênteses: nº de ativos no corte na janela.
FIIs — o que muda se o método mudar (Núcleo por variante)
| Variante | Núcleo 2023 → 2024 | Núcleo 2024 → 2025 | Núcleo 2025 → 2026 | Núcleo 3 anos | Sólido 3 anos | "Evitar" 3 anos |
|---|---|---|---|---|---|---|
v3 — MÉTODO VIVO desde 30/08/2026 papel: 0,85 ≤ P/VP < 1 tijolo/FoF: P/VP < 1 e VP/cota não caiu > 5% em 12m yield ≥ mediana da CLASSE oficial ≥ 10 meses pagos | +13,3% (33) | +4,1% (39) | +9,0% (47) | +28,5% | +15,2% | +2,3% |
v0 — método até 29/08/2026 P/VP < 1 yield ≥ mediana do universo ≥ 10 meses pagos | +5,4% (47) | +4,2% (53) | +6,0% (63) | +16,5% | +21,1% | +5,7% |
v1 — teto de yield + yield ≤ 1,5× a mediana da CLASSE oficial (papel/tijolo/FoF) | +4,1% (43) | +2,8% (44) | +7,3% (57) | +14,9% | +20,2% | +10,8% |
v2 — banda por classe + papel: 0,85 ≤ P/VP < 1 tijolo/FoF: P/VP < 1 e VP/cota não caiu > 5% em 12m | +11,7% (28) | +4,1% (35) | +9,6% (41) | +27,4% | +16,3% | +4,4% |
v2 — vizinho 0,80 igual à v2 com banda inferior 0,80 (sensibilidade) | +11,1% (29) | +3,1% (38) | +8,6% (44) | +24,4% | +17,9% | +3,8% |
v2 — vizinho 0,90 igual à v2 com banda inferior 0,90 (sensibilidade) | +11,7% (28) | +3,8% (34) | +10,1% (38) | +27,5% | +16,1% | +5,5% |
v2 — banda para todos banda 0,85–1 em TODAS as classes, sem guard de VP | +12,7% (29) | +3,0% (22) | +10,4% (27) | +28,2% | +12,6% | +15,0% |
v3 — + filtro de universo v2 só em fundos com PL ≥ R$ 150 mi e ≥ 18 informes na data 2023-24 vazia: a base de informes começa em 2022 | — | +3,4% (28) | +9,5% (37) | — | — | — |
exploratória — v2 sem teto post-hoc, declarada antes de correr isola o teto de yield dentro da v2 | +13,3% (33) | +4,1% (39) | +9,0% (47) | +28,5% | +15,2% | +2,3% |
exploratória — só o teto post-hoc: v0 + yield ≤ 1,5× a mediana do UNIVERSO isola o teto da mudança de pares | +6,9% (40) | +4,0% (42) | +6,8% (55) | +18,7% | +18,5% | +7,5% |
| IFIX | +6,2% | +4,7% | +9,7% | +21,9% | ||
Como foi decidido: as regras, os dados e o critério de aprovação foram escritos e publicados ANTES de correr qualquer variante (pré-registo de 30/08/2026). A hipótese aprovada foi a banda de P/VP por classe oficial (v2): Núcleo acima do IFIX em 2 das 3 janelas e no acumulado, acima de “Evitar” nas 3 janelas, acima de Sólido no acumulado (a inversão que motivou o estudo desaparece), com 29 a 46 fundos por janela e vizinhos 0,80/0,90 também acima do índice. A banda para TODAS as classes foi rejeitada: “Evitar” passava a render mais do que Sólido — no tijolo o desconto é ciclo, não stress.
O teto de yield (1,5× a mediana) NÃO entrou na Grade: sozinho não melhorou o Núcleo (v1) e, dentro do pacote, o acumulado ficou 0,55 ponto abaixo da versão sem teto — a regra de decisão fixada antes de correr mandava deixá-lo de fora. Ele vive como limite de peso na cesta do Índice do Cardume, não como critério. O filtro de universo (v3) ficou inconclusivo porque a nossa base de informes começa em 2022 e esvazia a primeira janela.
O que mudou no método vivo: a classe de cada FII passa a vir da composição oficial do patrimônio declarada à CVM (não do nome do segmento); o P/VP no papel exige 0,85 ≤ P/VP < 1 (abaixo disso o mercado está a antecipar perda de crédito ainda não marcada) e no tijolo/FoF mantém < 1 com o valor patrimonial preservado em 12 meses; o yield compara com a mediana da mesma classe. Totais e nomes dos critérios não mudaram. A tabela principal acima já mede o método vivo (a variante v3, sem teto: bate o IFIX em 1 das 3 janelas e no acumulado; a v2 com teto batia em 2, com acumulado 0,55 ponto menor — publicamos ambas); a linha v0 é o método anterior, mantida para comparação.
Como foi medido
Sem look-ahead — a carteira do ano Y usa a DFP do ano Y-1 (publicada até março) e o preço de fecho do último pregão de junho: 3 meses de folga entre o dado existir e ser usado.
Fontes oficiais — demonstrações CVM (DFP e informes mensais), fechos históricos da B3 (COTAHIST), proventos B3/CVM, splits e grupamentos com fator calibrado em eventos reais.
Pesos iguais, 12 meses — cada faixa de Grade vira uma carteira equal-weight, comprada em junho e medida até o junho seguinte, com proventos brutos reinvestidos (mesma convenção do Ibovespa, que já é índice de retorno total).
Os critérios estão abertos na Metodologia do Cardume. A prova FORWARD — o método medido dia a dia, desde julho/2026 — está no Índice do Cardume.