Backtest da Grade — e se o método existisse em 2021?

Reconstruímos a Grade Sardinha ano a ano com os dados OFICIAIS da época (demonstrações CVM, fechos e proventos da B3) e medimos o que cada faixa de nota fez nos 12 meses seguintes. Sem olhar para o futuro: cada carteira anual usa só o que um investidor sabia naquele junho. O teste mais importante não é o Núcleo ganhar — é a faixa "Evitar" perder. Se as notas baixas não destroem valor, o método não separa nada.

+39,0%
Ações Núcleo (Grade ≥ 8) · 5 anos · Ibov +34,8%
-25,7%
Ações "Evitar" (Grade < 4) — o controlo negativo
+28,5%
FIIs Núcleo · 3 anos · IFIX +21,9%

Resultado passado, sobre base com viés de sobrevivência declarado — rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Leia as limitações antes de interpretar estes números.

Transparência primeiro

Leia antes dos números: o que este backtest NÃO é

Viés de sobrevivênciaa base cobre as empresas listadas HOJE (~140/ano). Quem quebrou ou saiu da bolsa no caminho não aparece, o que infla os retornos de TODAS as faixas. Por isso a comparação mais honesta é interna: Núcleo contra “Evitar” dentro do MESMO universo.

Grade determinísticasó os critérios calculáveis com dados oficiais da época (7 nas ações: P/L, P/VP, lucro, dívida, ROE, crescimento, proventos · 3 nos FIIs: P/VP, yield vs pares, consistência). Os critérios de IA da Grade completa ficam fora — não dá para reconstruir o passado deles.

Sem custoscorretagem, emolumentos e impostos não entram (1 rebalance/ano minimiza, mas não zera).

Proventos de FII — série completada em 29/08/2026os rendimentos dos FIIs vêm de três fontes com prioridade FIXA, decidida antes de ver o resultado: eventos oficiais da B3 (só a cota — os recibos de subscrição ficam fora), o histórico do Fundamentus (desde 2016) e os informes mensais CVM. Em cada mês conta UMA fonte por fundo, separando renda de amortização: a amortização entra no retorno total (é dinheiro que o cotista recebe), não na classificação. Cobertura: 127 a 135 dos 146 fundos com 10 ou mais meses de renda em cada janela; os restantes são fundos que estrearam ou encerraram a meio da janela. Duas lacunas declaradas: HGPO11 devolveu cerca de R$ 189 por cota em 2024 e só R$ 57 constam das fontes; NCHB11 não tem série em nenhuma fonte.

Revisão de 29/08/2026o resultado de FIIs publicado de 17/07 a 29/08 (+31,5% em 3 anos) estava INFLADO por um erro nosso de unidade no informe CVM. Corrigido a meio de 29/08 para +8,3%, o número passou a estar SUBESTIMADO por três defeitos de dados que o nosso próprio teste de sanidade apanhou no mesmo dia: um terço dos fundos entrava sem série de proventos; sete desdobramentos (GALG11, BCFF11, MCHY11, NCHB11, RBRF11, SARE11, RBFF11) não constavam do corpus da B3 e contavam como quedas de 80-90% — confirmámos cada um pelas cotas emitidas nos informes CVM; e a B3 atribuía à cota rendimentos dos recibos de subscrição (+2% inventados em 21 fundos). Com a série completa e os eventos corrigidos, o Núcleo de FIIs ficou em +15,3% em 3 anos (IFIX +21,9%), a faixa Sólido em +19,9% e a faixa “Evitar” em +6,7%. A leitura honesta: nos FIIs o método SEPARA (Núcleo acima de “Evitar” em 2023-24 e 2024-25, e “Evitar” é o pior corte) mas não bate o índice — e o corte mais exigente (P/VP abaixo de 1, yield acima dos pares e consistência) rendeu MENOS do que a faixa Sólido neste período. Publicamos os três números em sequência porque é isso que “prova pública” quer dizer. As faixas de ações não dependem destes dados e não mudaram.

Revisão de método — 30/08/2026depois da correção de dados de 29/08, estudámos POR QUE o Núcleo de FIIs rendia menos do que a faixa Sólido: no papel, P/VP abaixo de 0,85 foi negativo nas três janelas e o yield acima dos pares selecionava sistematicamente o pior tercil. Em vez de ajustar os critérios ao resultado, pré-registámos um teste (regras, dados e critério de aprovação publicados antes de correr — secção “Revisão de método” abaixo) e só a hipótese que passou entrou no método: P/VP em banda por classe oficial (composição do patrimônio declarada à CVM) e pares do yield pela mesma classe. Com essa regra o Núcleo de FIIs passou a +27,5% em 3 anos (IFIX +21,9%) — acima do índice na janela 2023-24 (a crise do papel high yield) e ligeiramente abaixo nas outras duas (+3,3% vs +4,7%; +9,3% vs +9,7%) — e a faixa “Evitar” cai para +1,9%, a maior separação de todas as variantes. O número anterior (+15,3%) continua publicado na linha v0. A Grade de cada FII em produção foi recalculada no mesmo dia com a regra nova.

Revisão de 07/09/2026 — janela truncadauma revisão adversarial do próprio motor encontrou um defeito de MEDIÇÃO, não de método: quando a série de um membro existia mas acabava a meio da janela (deslistagem, ou uma das sete renomeações da B3 — ELET3→AXIA3, EMBR3→EMBJ3, ARZZ3→AZZA3, CCRO3→MOTV3, RRRP3→BRAV3, TRPL3/4→ISAE3/4), o retorno PARCIAL era contado como se fosse o dos 12 meses. O motor promete que membro sem retorno mensurável é excluído E contado (“skipped”); a promessa não cobria este caso. Corrigido: a série tem de cobrir o fim da janela (folga de 10 dias para ponte e feriado). Com a correção, o Núcleo de ações passa de +40,6% para +38,9% (Ibov +34,8%), a faixa “Evitar” de −28,2% para −25,7%, e o Núcleo de FIIs de +27,5% para +28,5% (IFIX +21,9%). As conclusões não mudaram — o método continua a separar e a faixa “Evitar” continua a ser a pior — mas os números publicados até hoje estavam ligeiramente errados e ficam aqui registados.

Passado ≠ futuroisto valida a LÓGICA do método, não promete retorno. Nada aqui é recomendação de investimento.

Retorno total por faixa de Grade

Ações — 5 carteiras anuais vs Ibovespa

Janela (jun→jun)Núcleo (Grade ≥ 8)Sólido (6 a 8)Médio (4 a 6)Evitar (< 4)Universo inteiroIbovespa
2021 → 2022-18,8% (11)-23,0% (24)-23,1% (51)-53,2% (21)-28,6% (107)-22,3%
2022 → 2023+30,5% (34)+40,3% (30)+29,2% (34)+29,6% (18)+32,5% (116)+19,8%
2023 → 2024+3,7% (13)+5,4% (33)-7,2% (38)-9,4% (34)-3,1% (118)+4,9%
2024 → 2025+20,3% (20)+15,7% (34)+7,0% (38)+38,7% (30)+19,4% (122)+11,3%
2025 → 2026+5,1% (17)+14,3% (33)+5,9% (43)-2,7% (27)+6,2% (120)+23,9%
Acumulado (reinvestido)+39,0%+50,7%+4,4%-25,7%+16,3%+34,8%

Retorno total (proventos brutos reinvestidos), carteira de pesos iguais montada no último pregão de junho e mantida 12 meses. Entre parênteses: nº de ativos no corte na janela.

Retorno total por faixa de Grade

FIIs — 3 carteiras anuais vs IFIX

Janela (jun→jun)Núcleo (Grade ≥ 8)Sólido (6 a 8)Evitar (< 4)Universo inteiroIFIX
2023 → 2024+13,3% (33)+4,0% (64)-2,9% (21)+5,4% (118)+6,2%
2024 → 2025+4,1% (39)+3,2% (66)-1,3% (22)+2,7% (127)+4,7%
2025 → 2026+9,0% (47)+7,4% (58)+6,7% (12)+8,0% (117)+9,7%
Acumulado (reinvestido)+28,5%+15,2%+2,3%+16,8%+21,9%

Retorno total (proventos brutos reinvestidos), carteira de pesos iguais montada no último pregão de junho e mantida 12 meses. Entre parênteses: nº de ativos no corte na janela.

Revisão de método — teste pré-registado (30/08/2026)

FIIs — o que muda se o método mudar (Núcleo por variante)

VarianteNúcleo 2023 → 2024Núcleo 2024 → 2025Núcleo 2025 → 2026Núcleo 3 anosSólido 3 anos"Evitar" 3 anos
v3 — MÉTODO VIVO desde 30/08/2026
papel: 0,85 ≤ P/VP < 1
tijolo/FoF: P/VP < 1 e VP/cota não caiu > 5% em 12m
yield ≥ mediana da CLASSE oficial
≥ 10 meses pagos
+13,3% (33)+4,1% (39)+9,0% (47)+28,5%+15,2%+2,3%
v0 — método até 29/08/2026
P/VP < 1
yield ≥ mediana do universo
≥ 10 meses pagos
+5,4% (47)+4,2% (53)+6,0% (63)+16,5%+21,1%+5,7%
v1 — teto de yield
+ yield ≤ 1,5× a mediana da CLASSE oficial (papel/tijolo/FoF)
+4,1% (43)+2,8% (44)+7,3% (57)+14,9%+20,2%+10,8%
v2 — banda por classe
+ papel: 0,85 ≤ P/VP < 1
tijolo/FoF: P/VP < 1 e VP/cota não caiu > 5% em 12m
+11,7% (28)+4,1% (35)+9,6% (41)+27,4%+16,3%+4,4%
v2 — vizinho 0,80
igual à v2 com banda inferior 0,80 (sensibilidade)
+11,1% (29)+3,1% (38)+8,6% (44)+24,4%+17,9%+3,8%
v2 — vizinho 0,90
igual à v2 com banda inferior 0,90 (sensibilidade)
+11,7% (28)+3,8% (34)+10,1% (38)+27,5%+16,1%+5,5%
v2 — banda para todos
banda 0,85–1 em TODAS as classes, sem guard de VP
+12,7% (29)+3,0% (22)+10,4% (27)+28,2%+12,6%+15,0%
v3 — + filtro de universo
v2 só em fundos com PL ≥ R$ 150 mi e ≥ 18 informes na data
2023-24 vazia: a base de informes começa em 2022
+3,4% (28)+9,5% (37)
exploratória — v2 sem teto
post-hoc, declarada antes de correr
isola o teto de yield dentro da v2
+13,3% (33)+4,1% (39)+9,0% (47)+28,5%+15,2%+2,3%
exploratória — só o teto
post-hoc: v0 + yield ≤ 1,5× a mediana do UNIVERSO
isola o teto da mudança de pares
+6,9% (40)+4,0% (42)+6,8% (55)+18,7%+18,5%+7,5%
IFIX+6,2%+4,7%+9,7%+21,9%

Como foi decidido: as regras, os dados e o critério de aprovação foram escritos e publicados ANTES de correr qualquer variante (pré-registo de 30/08/2026). A hipótese aprovada foi a banda de P/VP por classe oficial (v2): Núcleo acima do IFIX em 2 das 3 janelas e no acumulado, acima de “Evitar” nas 3 janelas, acima de Sólido no acumulado (a inversão que motivou o estudo desaparece), com 29 a 46 fundos por janela e vizinhos 0,80/0,90 também acima do índice. A banda para TODAS as classes foi rejeitada: “Evitar” passava a render mais do que Sólido — no tijolo o desconto é ciclo, não stress.

O teto de yield (1,5× a mediana) NÃO entrou na Grade: sozinho não melhorou o Núcleo (v1) e, dentro do pacote, o acumulado ficou 0,55 ponto abaixo da versão sem teto — a regra de decisão fixada antes de correr mandava deixá-lo de fora. Ele vive como limite de peso na cesta do Índice do Cardume, não como critério. O filtro de universo (v3) ficou inconclusivo porque a nossa base de informes começa em 2022 e esvazia a primeira janela.

O que mudou no método vivo: a classe de cada FII passa a vir da composição oficial do patrimônio declarada à CVM (não do nome do segmento); o P/VP no papel exige 0,85 ≤ P/VP < 1 (abaixo disso o mercado está a antecipar perda de crédito ainda não marcada) e no tijolo/FoF mantém < 1 com o valor patrimonial preservado em 12 meses; o yield compara com a mediana da mesma classe. Totais e nomes dos critérios não mudaram. A tabela principal acima já mede o método vivo (a variante v3, sem teto: bate o IFIX em 1 das 3 janelas e no acumulado; a v2 com teto batia em 2, com acumulado 0,55 ponto menor — publicamos ambas); a linha v0 é o método anterior, mantida para comparação.

Metodologia

Como foi medido

Sem look-ahead — a carteira do ano Y usa a DFP do ano Y-1 (publicada até março) e o preço de fecho do último pregão de junho: 3 meses de folga entre o dado existir e ser usado.

Fontes oficiais — demonstrações CVM (DFP e informes mensais), fechos históricos da B3 (COTAHIST), proventos B3/CVM, splits e grupamentos com fator calibrado em eventos reais.

Pesos iguais, 12 meses — cada faixa de Grade vira uma carteira equal-weight, comprada em junho e medida até o junho seguinte, com proventos brutos reinvestidos (mesma convenção do Ibovespa, que já é índice de retorno total).

Os critérios estão abertos na Metodologia do Cardume. A prova FORWARD — o método medido dia a dia, desde julho/2026 — está no Índice do Cardume.

Veja a Grade de hoje, ativo por ativo
O mesmo método que separou essas faixas no passado avalia mais de 300 ativos da B3 todos os dias — com os critérios abertos, um a um.
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    Backtest da Grade Sardinha — o método testado contra 5 anos de B3