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Blog/Metodologia do Cardume/Graham, Bazin, Lynch, Greenblatt e Damodaran: cinco réguas para a mesma pergunta — quanto vale uma ação?
Metodologia

Graham, Bazin, Lynch, Greenblatt e Damodaran: cinco réguas para a mesma pergunta — quanto vale uma ação?

Cada página de ação do Sardinha agora carrega cinco leituras clássicas de valuation, calculadas só com dados oficiais CVM/B3 — o que cada uma pergunta, onde divergem e por que nenhuma delas manda na Grade.

Rafael Buzeli
Rafael Buzeli
Fundador & Head de Research
18 jul 20266 min · leituras
Graham, Bazin, Lynch, Greenblatt e Damodaran: cinco réguas para a mesma pergunta — quanto vale uma ação?

Toda análise de ação precisa responder a duas perguntas diferentes — e quem mistura as duas paga caro. A primeira é “esta empresa é boa?”: lucro consistente, dívida sob controle, gestão decente, vantagem competitiva. A segunda é “o preço de hoje faz sentido?”. Uma empresa excelente comprada cara pode ser um investimento ruim; uma empresa medíocre comprada barata também. No Sardinha, a primeira pergunta é o trabalho da Grade. A segunda acaba de ganhar cinco réguas clássicas — todas calculadas exclusivamente com dados oficiais da CVM e da B3, todas com as premissas declaradas na página.

Nenhuma dessas réguas é nossa. São métodos publicados por cinco investidores e professores que passaram décadas sendo testados — e cada um enxerga o preço por um ângulo que os outros ignoram. É exatamente por isso que mostramos os cinco lado a lado: quando réguas diferentes discordam sobre o mesmo ativo, a divergência em si é informação.

Graham: o chão do valor

Benjamin Graham, o pai do value investing, propôs uma conta deliberadamente conservadora: o valor justo é a raiz quadrada de 22,5 × lucro por ação × valor patrimonial por ação. A régua ancora o preço em duas coisas que a empresa já tem — lucro e patrimônio — e ignora promessas. Por construção, ela pune empresas de crescimento e não avalia empresas no prejuízo (a página diz isso em vez de fingir um número). É a leitura de “margem de segurança”: comprar abaixo do valor de Graham é comprar com desconto sobre o que já existe. No Sardinha, Graham é o primeiro velocímetro de cada ação, o eixo de preço do quadrante “barato ou caro? e é bom?” — e é o único método que entra na Grade, como critério de Margem de Segurança.

Bazin: o teto por renda

Décio Bazin, jornalista e investidor brasileiro, olhava só para uma coisa: dividendos. Sua regra — preço-teto = dividendo por ação dos últimos 12 meses ÷ 6% — responde a uma pergunta bem prática: “a que preço este ativo me paga pelo menos 6% ao ano em renda?”. É a régua de quem vive de proventos. O limite é evidente: ela não enxerga crescimento nem empresas que reinvestem em vez de distribuir. No Sardinha, Bazin é o segundo velocímetro de cada ação.

Lynch: crescimento a preço razoável

Peter Lynch popularizou o PEG: P/L dividido pelo crescimento anual do lucro. A intuição é que um P/L de 20 pode ser barato para uma empresa que cresce 25% ao ano e caríssimo para uma que cresce 3%. PEG abaixo de 1 sugere que o crescimento não está sendo pago; acima de 2, que está sendo pago duas vezes. No Sardinha, o crescimento usado é o CAGR do lucro por ação OFICIAL — lucro atribuído das demonstrações da CVM dividido pelas ações de cada exercício, o que captura diluição — e o preço-teto de Lynch (LPA × crescimento) usa uma banda declarada de 6% a 25% ao ano, para não extrapolar nem euforia nem depressão. Quando o CAGR nasce de uma base de lucro deprimida ou há prejuízo na janela, a página avisa com um asterisco em vez de esconder. É o terceiro velocímetro, novo, em cada ação.

Greenblatt: barato E eficiente, em forma de ranking

Joel Greenblatt fez uma pergunta diferente: em vez de “quanto vale esta ação?”, “quais ações da bolsa estão baratas E são eficientes ao mesmo tempo?”. Sua fórmula usa dois fatores: Earnings Yield (EBIT ÷ valor da firma — quanto lucro operacional você compra por real investido) e ROIC (EBIT ÷ capital investido — quão bem a empresa transforma capital em resultado). Cada ação recebe uma posição em cada fator, e o ranking final é a soma das posições. Não existe preço-teto aqui: a resposta é uma posição relativa, tipo “#48 de 110”. Financeiras e seguradoras ficam fora — regra do próprio método, porque EBIT não é comparável quando o balanço é o negócio — e units e BDRs ficam fora por não terem âncora oficial por ação na CVM. O EBIT vem das demonstrações oficiais, com a base (12 meses ou exercício) declarada em cada ativo.

O ranking completo é público

sardinha.net/listas/formula-de-greenblatt — as ações da B3 ordenadas pela fórmula, com a Grade Sardinha ao lado de cada uma. O ranking é o método puro; a Grade é a lente de qualidade. Quando o #1 do ranking aparece com Grade baixa, isso não é contradição — é a transparência fazendo o trabalho dela.

Damodaran: a pergunta invertida

Aswath Damodaran é a referência mundial em valuation por fluxo de caixa descontado. O DCF completo, porém, exige projetar receita, margem e crescimento por dez anos — e pequenas mudanças nas premissas viram preços-alvo completamente diferentes. Preferimos a versão honesta do método: o reverse-DCF. Em vez de inventar premissas para chegar a um preço, partimos do preço de mercado e perguntamos: “que crescimento perpétuo de caixa este preço já assume?”. A conta usa o fluxo de caixa livre oficial (mediana dos últimos três exercícios, para amortecer capex irregular) e uma taxa de desconto declarada: o Tesouro Prefixado mais longo mais 5 pontos de prêmio de risco. O resultado aparece ao lado do crescimento REAL do lucro da empresa — e a comparação fala por si.

Um exemplo didático do dia do lançamento: uma das empresas mais admiradas da bolsa aparecia “muito cara” nos três velocímetros. O reverse-DCF explicou o porquê em uma linha — o preço embutia crescimento perpétuo de 16% ao ano, enquanto o lucro oficial dos últimos cinco anos cresceu 6,4% ao ano. Nenhum juízo de valor: só a distância, medida, entre o que o mercado assume e o que a empresa entregou. Quando o fluxo de caixa livre mediano é negativo, a página também diz — “queima caixa, reverse-DCF não aplicável” — em vez de fabricar um número.

Onde cada régua mora no Sardinha

Em resumo
1Velocímetros Graham × Bazin × Lynch: na página de cada ação, em sardinha.net/ativo/ ticker — com teto, distância do preço e as premissas no rodapé.
2Seção “Fórmula de Greenblatt e reverse-DCF”: logo abaixo dos velocímetros, com a posição no ranking, EY, ROIC, crescimento embutido × real e a taxa de desconto do dia.
3Ranking público completo: sardinha.net/listas/formula-de-greenblatt.
4Calculadora com os três tetos (Graham, Bazin e Lynch) para simular com seus próprios números: sardinha.net/calculadoras/preco-justo-acao.
5O quadrante “barato ou caro? e é bom?” cruza a margem de Graham com a Grade sem o critério de preço — as duas perguntas, num gráfico só.
6O Sonar conhece as cinco leituras e cita os números quando você pergunta sobre um ativo no chat.
7Tudo calculado com dados oficiais CVM/B3 — demonstrações, composição de capital e fechos de pregão — sem depender de sites de terceiros.

Uma decisão de desenho importante: nenhum dos métodos novos entrou na Grade. A Grade Sardinha continua respondendo “esta empresa é boa?” com os mesmos 16 critérios de sempre — os mesmos que o backtest público validou (sardinha.net/backtest). Lynch, Greenblatt e Damodaran são leituras complementares de PREÇO, declaradas e separadas, exatamente como o histórico oficial de múltiplos que já mostramos. Misturar as duas perguntas numa nota só esconderia mais do que revelaria.

Régua nenhuma decide por você. Cinco réguas honestas, lado a lado, decidem muito menos — e informam muito mais.

Metodologia do Cardume

Conteúdo educacional e informativo. Os métodos descritos são réguas simplificadas de valuation, calculadas sobre dados públicos oficiais; nenhum número desta página é preço-alvo, recomendação de compra ou de venda. Rentabilidade passada não garante resultado futuro. Antes de investir, considere seu perfil, seus objetivos e, se necessário, um profissional certificado.

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#Metodologia#Cardume#Fundamentos
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Rafael Buzeli
Rafael Buzeli
Fundador & Head de Research

Fundador do Sardinha. Escreve sobre a tese por trás do método — por que critério vence palpite — e lidera o research da plataforma.

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Aviso: conteúdo educacional e informativo. Não constitui recomendação ou consultoria de valores mobiliários (CVM). Dados podem conter latência. Toda decisão de investimento é de responsabilidade do leitor.

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