Toda metodologia de análise deveria responder a uma pergunta desconfortável: “e se eu tivesse seguido você nos últimos cinco anos?”. A maioria não responde — mostra os acertos, esquece o resto. Nós decidimos responder por inteiro, em público, com dados que qualquer pessoa pode conferir.
O exercício: reconstruímos a Grade Sardinha ano a ano usando só dados OFICIAIS da época — demonstrações financeiras depositadas na CVM, fechos e proventos da B3. Em cada junho, montamos carteiras separadas por faixa de nota e medimos o que cada uma fez nos 12 meses seguintes. Sem olhar para o futuro: cada carteira usa apenas o que um investidor sabia naquele dia.
O teste que importa não é ganhar do Ibovespa
Qualquer backtest suficientemente torturado confessa um número bonito. O controle honesto é outro: o negativo. Se a Grade mede alguma coisa de verdade, as notas baixas têm que perder — e perder feio. Se a faixa “Evitar” tivesse ido bem, o método não estaria separando empresa sólida de empresa frágil; estaria jogando dados.
Foi o contrário. Enquanto o universo inteiro do teste rendeu +14,7% em cinco anos, as empresas que a Grade reprovava destruíram 28,2% do capital. E o momento mais eloquente foi exatamente o pior: na janela de 2021 para 2022, com o mercado inteiro em queda, a diferença entre estar nas reprovadas (−51%) e estar no Núcleo (−18%) foi a diferença entre um susto e um desastre. Critério não elimina queda — muda o tamanho dela.
Onde o método apanhou
Método aberto significa publicar também o que incomoda. Na janela de 2025 para 2026, o Núcleo de ações fez +5,1% contra +23,9% do Ibovespa — um rali puxado por papéis que um filtro conservador não carrega. Nos FIIs, o núcleo perdeu do IFIX em duas das três janelas individuais e só ganhou no acumulado. Está tudo nas tabelas, janela a janela, sem retoque.
O que este backtest NÃO é
Primeiro: há viés de sobrevivência — a base cobre as empresas listadas hoje, então quem quebrou no caminho não aparece, e isso infla os retornos de TODAS as faixas. Por isso a comparação mais honesta é interna: Núcleo contra “Evitar” dentro do mesmo universo. Segundo: usamos a Grade determinística — só os critérios calculáveis com dados oficiais da época (7 nas ações, 3 nos FIIs); os critérios qualitativos de IA ficam de fora, porque não dá para reconstruir o passado deles. Terceiro: sem custos de corretagem e impostos. E o mais importante: passado não é promessa. Isto valida a lógica do método — não é recomendação de compra ou venda.
Como foi medido
A carteira de cada ano usa a DFP do ano anterior — publicada até março — e o preço de fecho do último pregão de junho: três meses de folga entre o dado existir e ser usado, para não haver vazamento de futuro. Pesos iguais, 12 meses de carrego, proventos brutos reinvestidos — a mesma convenção do Ibovespa, que já é um índice de retorno total. Splits e grupamentos foram ajustados com fatores calibrados em eventos reais da B3.
Os números por faixa de nota, a quantidade de ativos em cada corte e a metodologia inteira estão publicados em sardinha.net/backtest. E a prova ao vivo — o método medido dia a dia, sem retrovisor — corre desde julho de 2026 em sardinha.net/indice.
Conteúdo educacional e informativo. Não é recomendação de compra ou venda de ativos. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.

Fundador do Sardinha. Escreve sobre a tese por trás do método — por que critério vence palpite — e lidera o research da plataforma.
Aviso: conteúdo educacional e informativo. Não constitui recomendação ou consultoria de valores mobiliários (CVM). Dados podem conter latência. Toda decisão de investimento é de responsabilidade do leitor.



