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Mercado

Duplicata escritural: quando R$ 11 trilhões esperam por um detalhe regulatório

Instrumento que poderia descongestionar o crédito das empresas segue preso em burocracia enquanto pautas tributárias dominam a agenda.

Camila Ribeiro
Camila Ribeiro
Economista · Macro
12 jul 20262 min · leituras
Duplicata escritural: quando R$ 11 trilhões esperam por um detalhe regulatório

O potencial adormecido

Existe um instrumento financeiro que, segundo estimativas, poderia liberar aproximadamente R$ 11 trilhões em crédito para as empresas brasileiras. Não é uma invenção recente nem uma tecnologia exótica. A duplicata escritural — versão digital e desmaterializada da duplicata tradicional — existe há anos no arcabouço legal, mas segue praticamente ignorada pelo mercado. O motivo? Nem sempre é falta de vontade. Muitas vezes é falta de prioridade.

Quando a agenda fica congestionada

O cenário atual do Brasil é de reformas estruturais em disputa. A transição da reforma tributária, ajustes nas regras de incentivos fiscais, discussões sobre o arcabouço fiscal — tudo isso compete pela atenção de reguladores, legisladores e do próprio mercado. Nesse contexto, a duplicata escritural virou aquele projeto que todos reconhecem como importante, mas ninguém consegue colocar no topo da pilha. É o clássico problema de priorização: quando tudo é urgente, nada é prioritário.

Para o investidor que acompanha o mercado de crédito e financiamento corporativo, essa lentidão importa. Empresas com dificuldade de acesso a crédito tradicional — especialmente pequenas e médias — poderiam usar a duplicata escritural como alternativa de captação. Isso afetaria desde a dinâmica de taxas até a estrutura de risco do mercado de renda fixa corporativa.

O que falta para sair do papel

A duplicata escritural não precisa de lei nova. Precisa de regulamentação clara, de padronização entre sistemas, de confiança do mercado. Tudo isso é trabalho de detalhamento — exatamente o tipo de coisa que fica para depois quando há crises tributárias e fiscais na mesa. O resultado é um instrumento que existe legalmente, mas não funciona na prática porque os atores do mercado não têm segurança suficiente para usá-lo em escala.

Em resumo
1A duplicata escritural poderia liberar trilhões em crédito, mas segue praticamente não utilizada
2Reformas tributárias e fiscais dominam a agenda regulatória, deixando instrumentos de crédito em segundo plano
3O problema não é legal, mas de regulamentação e padronização — trabalho de detalhamento que fica adiado
4Para empresas com dificuldade de acesso a crédito, essa demora tem custo real em taxa e disponibilidade de recursos

Quem investe em renda fixa corporativa ou acompanha a saúde financeira das empresas brasileiras sabe: crédito mais barato e acessível muda o jogo. A duplicata escritural é uma peça desse quebra-cabeça. Enquanto ela não sair do engatinha, o mercado segue operando com as ferramentas que tem — e pagando o preço dessa limitação.

Fonte: Duplicata escritural, que pode “destravar” R$ 11 tri, ainda engatinha entre empresas — https://www.infomoney.com.br/economia/duplicata-escritural-que-pode-destravar-r-11-tri-ainda-engatinha-entre-empresas/

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#Mercado#Cardume#Fundamentos
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Camila Ribeiro
Camila Ribeiro
Economista · Macro

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